A minha tia engoliu um alicate

20.6.05

402 (por partes)

é o numero da porta do meu prédio.
começo por cima, sempre é original e tudo isso:

O 3º Direito
mãe, filha e muita bicharada são os inquilinos desta casa.

A mãe
já ganhou estatuto de velha à uns anos mas falta um bocado para chegar ao ranhosa, com 1m60 é a personagem preferida da má lingua dos jantares de minha casa. Acho que nunca tive uma conversa com ela mas, sempre que fala comigo fico o tempo todo a ouvir com a maior atenção para tentar perceber como é que a mulher consegue fazer aquela voz repugnante, medonha, 'ó bernááârdo, estáâ bom?
A filha não deve ter feito 30 à muito tempo e tem 1m70 (este dado é uma aproximação ponderada da sua altura já que não faço ideia quanto mede a senhora descalça), quando era gaiato achava-a a 'boa' do prédio, agora que sou alto o suficiente para ver a sua cara a minha opnião mudou drasticamente.
A bicharada é constituida por dois rafeiros (mesmo que nao sejam, recuso-me a chamar aquilo cão, quanto mais admitir que são de raça), um gato, piriquitos, pombos etc. São muitos, são barulhentos, são malcheirosos. Atromentam todo o prédio.
Entrei algumas vezes nesta casa em miudo, momentos de inocencia minha, irresponsabilidade dos meus pais. Entra-se num corredor, a parte da direita nunca visitei, lembro-me ofuscamente da casa desarumada, feia, tinha alcativa como chão mas pisava-se a protecção de plástico. O corredor cheirava a bolachas de aveia podres, a cozinha a comida de bicho e a varanda é algo memorável. A varanda é o lar de tudo o que tem asas neste agregado familiar desde pombos até patos.
A actividade mais praticada das duas senhoras é passear os cães, momento que os mesmo fazem questão que se note no prédio fazendo barulho com as unhas de rato e ganindo afectadamente.