Seria uma pessoa muito mais feliz se…
É verdade, eu poderia ser uma pessoa muito mais feliz se fosse do Benfica…
Sim, mas não era por causa dos campeonatos ganhos na década de 20, ou pelas 2 ligas dos campeões ganhas nos finais do séc. XIII, mas sim por ser simplesmente benfiquista…
As pessoas dizem que o Benfica é uma nação, mas não, o Benfica é nada mais, nada menos do que o maior bairro de Portugal. Sim, porque eu fui ver a um Atlas e não encontrei nenhum país com esse nome, apenas a junta de freguesia de Benfica. Ora, um país com 6 milhões de habitantes é uma nação relativamente pequena, mas um bairro com esse número de habitantes… upa upa… acho que não há tão grande em todo o mundo.
Para além disso, este bairro é um bairro em todos são bem vindos, não importa se são cabo-verdianos, taxistas, camionistas, vendedores de pneus, sócios do FCP, presidiários, ou até mesmo extraterrestres (sim, porque inclusive na semana passada Luís Filipe Viera e José Veiga abriram uma casa do Benfica num dos anéis de Saturno, e para além disso Beto parece ter vindo de outra galáxia).
Nesse ilustre e utópico local, todos são felizes… pode-se fazer de todo sem que ninguém diga que está errada; mandar escarra para o chão, fazer piqueniques à beira da estrada, convivendo com a família bebendo garrafões de 5L de vinho e comendo asinhas de frango, ter no carro um ursinho de peluche encarnado com um coração a dizer Benfica, esfaquear e disparar verylights aos que não são desse bairro.
Os benfiquistas têm uma religião própria; tem um livro sagrado, A Bola; um local de veneração, tal como os muçulmanos tem Meca a Pedra Negra, eles têm estátua negra do seu profeta, Eusébio, que apesar de não saber falar português, conseguiu muitos seguidores; como qualquer religião têm a sua catedral, onde as pessoas se deslocam todos os domingos, trajados a rigor (fato-de-treino), o Centro Comercial Colombo.
É por isso que é bom ser do Benfica é tão bom...feliz…eu queria ser lampião como Fernando Pessoa escreve num dos seus poemas que queria ser como a ceifeira:
“ Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência”
Despeço-me com amizade:
Afonso “Bolha” Beirão Belo

