A minha tia engoliu um alicate

11.4.06

Seria uma pessoa muito mais feliz se…

É verdade, eu poderia ser uma pessoa muito mais feliz se fosse do Benfica…

Sim, mas não era por causa dos campeonatos ganhos na década de 20, ou pelas 2 ligas dos campeões ganhas nos finais do séc. XIII, mas sim por ser simplesmente benfiquista…

As pessoas dizem que o Benfica é uma nação, mas não, o Benfica é nada mais, nada menos do que o maior bairro de Portugal. Sim, porque eu fui ver a um Atlas e não encontrei nenhum país com esse nome, apenas a junta de freguesia de Benfica. Ora, um país com 6 milhões de habitantes é uma nação relativamente pequena, mas um bairro com esse número de habitantes… upa upa… acho que não há tão grande em todo o mundo.

Para além disso, este bairro é um bairro em todos são bem vindos, não importa se são cabo-verdianos, taxistas, camionistas, vendedores de pneus, sócios do FCP, presidiários, ou até mesmo extraterrestres (sim, porque inclusive na semana passada Luís Filipe Viera e José Veiga abriram uma casa do Benfica num dos anéis de Saturno, e para além disso Beto parece ter vindo de outra galáxia).

Nesse ilustre e utópico local, todos são felizes… pode-se fazer de todo sem que ninguém diga que está errada; mandar escarra para o chão, fazer piqueniques à beira da estrada, convivendo com a família bebendo garrafões de 5L de vinho e comendo asinhas de frango, ter no carro um ursinho de peluche encarnado com um coração a dizer Benfica, esfaquear e disparar verylights aos que não são desse bairro.

Os benfiquistas têm uma religião própria; tem um livro sagrado, A Bola; um local de veneração, tal como os muçulmanos tem Meca a Pedra Negra, eles têm estátua negra do seu profeta, Eusébio, que apesar de não saber falar português, conseguiu muitos seguidores; como qualquer religião têm a sua catedral, onde as pessoas se deslocam todos os domingos, trajados a rigor (fato-de-treino), o Centro Comercial Colombo.

É por isso que é bom ser do Benfica é tão bom...feliz…eu queria ser lampião como Fernando Pessoa escreve num dos seus poemas que queria ser como a ceifeira:

“ Ah, poder ser tu, sendo eu!

Ter a tua alegre inconsciência,

E a consciência disso! Ó céu!

Ó campo! Ó canção! A ciência”

Despeço-me com amizade:

Afonso “Bolha” Beirão Belo

15.3.06

O meu Pai…(por "Bolha")

Sinto-me confuso. Não sei se deva estar contente ou triste. Hoje fiquei a saber quem era o meu pai biológico. Eu bem que achava estranho ter 19 anos e o meu pai estar há 22 anos preso por roubar rebuçados e ter violado um bode na via pública. Fiquei a saber que o meu pai verdadeiro era um mimo que actuava para os lados de Alfama. Engatou minha mãe com uma flor, não uma flor vulgar, já que a minha mãe não é uma rameira qualquer, mas sim com um girassol invisível, aqueles que os mimos usam no bolso daquele fato justinho de Lycra, mais com uns trocos que ganhara nas últimas horas de trabalho.
A minha mãe não me contou mais cedo porque tinha medo que eu não reagisse bem à notícia. Uma coisa é ter o pai preso, quando se é novo sempre se pode dizer: “ Metes-te comigo, o meu pai que está preso, sai da choldra dá-te um tiro”, e se as criancinhas soubessem que eu era filho de um mimo, passariam a vida a dizer: “ Olha, lá vai o Nelson Fernandes, que é um filho de um granda mimo”. Nesse aspecto, não recrimino minha mãe, apesar de eu achar que ela me contou muito tarde.
Fiquei também a saber, que ele já teve o seu momento de fama, pois foi ele que deu cara para os anúncios da TMN. Mas de isso deu cabo da sua vida. Não conseguiu lidar com a pressão de se ter tornado numa celebridade. Começou por fazer dietas malucas para ficar bem nas revistas, começou a ir a festas cor-de-rosa, e segundo consta até teve um caso com a Elsa Raposo. Desperdiçou grande parte de sua fortuna em drogas em álcool. Há quem diga que uma noite, numa festa, ele até falou, devido a ter ingerido grande porção de álcool e tomado uns quantos cogumelos alucinogénios, mas isso deve ter sido um rumor lançado por um mimo concorrente. Que com uns tantos cogumelos desses, começasse a lançar cordas para apanhar grilos gigantes até acreditava, mas falar, nunca…
Encontrei-me com ele noutro dia, num bar de alterne com bailarinas eróticas romenas, ali para os lados da Portela, Príncipe Real, mais concretamente entre a Baixa da Banheira e Freixo-de-espada-à-cinta. Ficou muito contente por saber que tinha um filho, ofereceu me uma taça de hidromel. Contou-me em mímica, alguns episódios divertidos da sua vida. Era já um homem velho, simpático mas triste, só… , todos de quem ele gostava, abandonaram-no, deixando-o só. Convidei-o para vir viver comigo, só que sendo ele um homem outrora respeitado e orgulhoso rejeitou. Vive apenas dos rendimentos mínimos dado pela Associação dos Mimos Desempregados. Tentou voltar a mimar, só que a idade não perdoa. As paredes invisíveis que ele agora criava, caem só com o soprar do vento. Até foi processado por ter deixado cair uma dessas paredes em cima de uma carroça de ciganos, partindo as loiças que esses levavam para a feira. Contou me que seu pai e avô também foram mimos, e seu trisavô marinheiro. Perguntou se eu tinha projectos para o futuro, aos quais eu disse que gostaria de ser ou astronauta ou apanhador de cães e bodes vadios. Ele disse que essas profissões não levavam a lado nenhum, e que se eu quisesse, ele seria meu manager, e me tornaria o melhor mimo do mundo! Eu ainda não sei se deva aceitar, por isso deixam um comment com a vossa opinião!
Despeço-me com Amizade:
Afonso “Bolha” Beirão Belo

4.3.06

A verdade sobre Belmiro de Azevedo

Nesta última semana, só se tem falado da compra da PT pelo grupo de Belmiro de Azevedo, a SONAE. É verdade que esse negócio diz muito a Portugal, e que há muitos interesses por de detrás desse negócio, tanto a nível político como a nível financeiro, mas para vos dizer a verdade, esse negócio nunca se irá concretizar, não passa de um negócio fantasma. Eu sei isso, porque sou uma pessoa muito influente no mundo da pastelaria e do tratamento de jardins. " No mundo da pastelaria e do tratamento de jardins?!?! " perguntam-me vocês! É verdade, com a notícia que Belmiro irá comprar a PT, todas as atenções irão estar viradas para essa aquisição, enquanto em segredo, o braço direito de Belmiro, Kumba Ialá, aquele homenzinho simpático que usa sempre um barretinho encarnado mesmo estando 40º, ex-presidente da Guiné, graças aos seus conhecimentos, organiza um exercito secreto, que invade a Serra-Leoa. E o que há na Serra Leoa?? "Diamantes" respondem-me, mas está ERRADO!!! É onde se encontra a fábrica de Dónuts, responsáveis pela distribuição mundial.
Essa evasão tem uma razão; a mente diabólica de Belmiro, engendrou um plano maquiavélico para conquistar o mundo a partir dos dónuts. Primeiro revoluciona o mercado de confeitarias ao lançar os dónuts com dois buracos. Os só com um buraco já eram os bolos mais vendidos do mundo pois eram os únicos com um buraco, e o que Belmiro tenciona fazer, é lançar para o mercado, os dónuts com dois buracos; dá-se uma revolução nesse universo; todos irão querer os dónuts com dois buracos. Belmiro controla o monopólio dos bolos, monopólio esse que movimenta mais capitais em todo o mundo.
Enquanto a ONU organiza uma campanha militar para devolver a fábrica de dónuts aos seus donos, os meninos perdidos da Terra-do-Nunca, Belmiro arranja dinheiro suficiente para que o seu sonho se concretize: ir ver o mar à praia.
Compra um bilhete na Praça de Espanha para a Costa da Caparica ao Sr. Toninho, que inocentemente e ignorantemente lhe vende, sem pensar nas consequências que esse acto irreflectido irá trazer ao Mundo. Enquanto as autoridades estão demasiados ocupados a tentar recuperar a fábrica, Belmiro planeia já estar a atravessar a ponte Oliveira Salazar, avistando a foz do Tejo junto ao Bugio. E se todo acontecer como planeado, Belmiro chegará à praia e despir-se-á, vestirá a tanga, dizendo aos seus capangas para montarem uma barraquinha, e que tragam um garrafa de 5 litros de vinho carrascão e umas perninhas de frango, para que se sinta em casa. Depois de devidamente instalado, ele dirige-se ao mar para molhar os pés e quem sabe, se a temperatura da água o proporcionar, molhar até aos joelhos e quem sabe, sentar-se à beira-mar a levar com as ondas.
Muitos podadores de árvores de fruta etíopes morreram para me transmitirem esta informação, para que eu pode-se transmiti-la ao mundo, para que os governos dêem a atenção devida ao que se passa em Africa, impedindo que Kumba Ialá consiga conquistar a fábrica de dónuts serra-leones. É que se não for dada a importância necessária, nem Peter Pan, nem as Power Puff Girls, ninguém mesmo, poderá impedir que Belmiro seja visto de tanga na praia. Se não vêem o problema, de seguida poderemos encontrar nas praias da linha pessoas importantes de tanga. Imaginem estarem na praia de Pedrouços a apanhar carreirinhas ao lado de Ferro Rodrigues de tanga, ou receberem um convite para besuntarem de protector solar as costas peludas da Odete Santos de fio dental! É o efeito bola de neve! E uma vez que isso aconteça, as calotes polares irão derreter, a camada de ozono passará a estar maior do que nunca, e nós morreremos. Há pessoas que nunca poderão ir à praia, por isso, ajudem-me a salvar o mundo!!

Despeço-me com amizade:

Afonso "Bolha" Beirão Belo

2.3.06

Atenção todos os leitores do alicate!

Pedimos desculpas pela ausência de posts mas a equipa do alicate tem estado em balanço. Um grande projecto se avizinha e o alicate tem que estar preparado para novas ameaças, por essa razão a nossa ausência.
Neste momento eu o Cunha, o Eça e o Froes, temos estado, escondidos na nossa base de operações a preparar o próximo passo.
Mas este assunto é “classificado” por isso nada mais posso adiantar.
Como já devem ter reparado os últimos dois post são da autoria de um colaborador nosso que nos tem dado grande ajuda no alicate claro que estou a falar do Afonso Beirão Belo(Bolha) que vai começar a fazer parte da nossa equipa e nos ira ajudar a desmascarar os crimes e os esquemas que decorrem enquanto estamos no nosso quotidiano.

Abraços e V.A.B

Franciscov Louçanov


Havia uma terra,
perdida na Sibéria
a região que o viu nascer.
Ele era um menino
que andava sozinho,
sonhava vir um dia ser;
sonhava ser revolucionário,
mas tinha pinta de otário,
ninguém o conseguia perceber!
E naquela povoação
Franciscov Louçanov era o furão.

Franciscov Louçanov nasceu Sibéria, numa noite fria e sem estrelas, algures nos anos 50. Seu pai era rico e responsável pelo campo de concentração para cossacos. Ele era feliz, passeava pelos campos lamacentos soviéticos, vendo os cossacos a serem torturados pelos seus camaradas; era um sinal que a URSS tinha um rumo, caminhava para a liberdade, porque todos os que eram contra o casamento entre homossexuais e contra o consumo de drogas deveriam ser mortos, por não respeitar as opiniões dos outros. Franciscov para além de cossacos, repudiava pessoas xenófobas e Americanos. Era um rapaz virtuoso...
Como uma criança normal tinha o quarto decorado com posters de Lenine e Trotsky suados e em tronco nu, em campos de trigo com uma foice e em fundições com um martelo, um alvo com dardos em que alternava as imagens Nixon e de Nicolau, o último Czar da Rússia, e o hino do proletariado emoldurado na mesa de cabeceira ao lado de O Capital, livro escrito pelo seu herói, Carl Marx.
Apesar de ter tido uma infância e adolescência normal, todos os com quem convivia, principalmente os escuteiros socialistas, achavam-no convencido com a mania que era político. Dizia barbaridades, falava dos problemas, mas nunca como os resolver, atacando os que tentavam. Abusava da demagogia, e em vez de argumentar, falaciava. Acabou por tirar dois cursos, literatura soviética medieval ao qual dedicou a Ivan, o terrível, o único Czar pelo qual tinha um mínimo de respeito e gestão, na universidade de Leningrado, agora S. Petesburgo.
Não fez nada depois de tirar o curso, vivendo às custas do pai até à queda do murro de Berlim. Depois disso, vendo as suas ideologias ameaçadas pelo o avanço capitalista, decide, como um profeta comunista, ir pregar pelo território inimigo. Caminha como um eremita até encontrar o oceano Atlântico, no canto mais ocidental da Europa. Por lá fixa-se e começa a espalhar sua doutrina na praça pública. Consegue uns dinheirinhos, com uns bons conhecimentos os meios de comunicação social dão lhe bastante tempo de antena. Inscreve-se no Holmes´s Place para parecer uma besta. A multidão acha-o com boa figura e que fala muito bem; nisso Franciscov teve sorte, porque nesse canto, 7 % da população, ao não conseguir perceber o que ele diz, dão lhe o benefício da dúvida, e acredita no que ele diz, não sabendo porque.
Ele continua por ai, sob o nome de Nelson Fernandes, e se tiverem sorte, poderão encontrá-lo, vestido com umas jardineiras com um padrão escocês e uma camisola de gola alta, com um crachá do Che Guevara, vagueando perdido pelas ruas de S. Bento.
Despeço-me com amizade:
Afonso " Bolha " Beirão Belo

28.2.06

O mundo animal

Os humanos existem com um propósito. Não vou entrar numa discussão filosófica sobre a irracionalidade do ser e do não ser. Eu venho aqui escrever sobre o propósito do ser animal, para ser mais concreto dos bichos.
Há bichos que foram postos na terra com finalidades, propósitos, e outros, que sinceramente, não encontro razão para o seu existencialismos.
Os castores, de todos os animais, são os com mais utilidade na terra. Eles fazem barragens! – “ ai i tal eles fazem barragens, também as avestruzes “- dizem me vocês, mas estão errados, porque as avestruzes são tipo o Tomás Taveira da arquitectura animal, unas imitadoras, para além de unas taradas que passam a vida a com a cabeça no subsolo. Ainda os dinossauros pretendiam governar a terra, ainda estavam em discutir a melhor maneira de a conquistar aos anões com pé chato, os castores já tinham a maior cadeia de barragens, diques e tectos falsos do Mundo, e quem sabe da Europa.
Outro bicho muito importante, nos dias de hoje, é o gambuzino de listas douradas. Se não existissem, muitas crianças iriam detestar os escuteiros, e iriam pensar que a matriz pedagógica seria apenas aprender a dar nós e vender calendários de anos anteriores nos semáforos. Já que nunca irão ser felizes, ao menos tem aquele momento de felicidade, procurando-os noite fora, nos acampamentos em parques de campismo.

Já referi dois animais importantes, mas há uns que por muito que consulte livros, astrólogos, filósofos, funcionários de bombas de gasolina que comem gelados, não consigo encontrar razão para a sua existência.
Pergunto-vos, para que servem os guaxinis?
Bernard Cornwell escreve em “ A Fuga de Sharpe “ que esses animais serviam para que os rapazes mais novos, treinarem a pontaria. Mas esses rapazes deverão estar mortos, pois esse livro retrata a história de um soldado nas Guerras Napoleónicas (inicio do séc. XIX, para os menos entendidos e incultos). Hoje em dia já ninguém treina a pontaria em guaxinis, o que acho muito bem, já que era uma crueldade mesmo para altura, tendo em conta que são animais, que apesar de não terem utilidade, são fofinhos, comem amendoins e moscas. Se esses rapazes quisessem treinar a sua pontaria, poderiam treinar nos bodes (animal que eu descobri pertence ao sexo feminino, que se distinguem das cabras por que são ainda piores), que são ainda mais feios que os guaxinis, andam ai como pegas que pensam que são super-modelos numa passerelle, com o rapo espetado para trás, e as mamas bem para a frente. Os bodes aliás, deviam ser abatidos, cortados em postas com uma serra eléctrica, já que são prejudiciais. São muitas vezes vistos na companhia de gnomos pencudos, aqueles que fazem rasteiras aos póneis, o que faz com que estes se afoguem em copos de água e em poços de alcatrão. Também há que referir que os bodes têm a fama de fazerem negócios obscuros, como tráfego de gnomas brasileiras e ucranianas de capucho encarnado para bares de alterne.
Mas agora que estou a chegar ao fim, posso concluir que os guaxinis não são fofinhos, e que merecem ser exterminados, não sei o que me levou a ter pena deles…
Poderia escrever muito mais, mas como o que já escrevi não tem utilidade nenhuma, escusam de perder tempo a ler inutilidades.
Despeço-me com amizade:

Afonso “Bolha” Beirão Belo

30.1.06

Nevão

Neva por Portugal inteiro! Neva em Lisboa!!
O Senhor Eusébio dirá, de sua justiça, que se trata de uma conspiração: "- O Estado encomendou a neve ao rrrussos para fomentar o consumismo...visto que 'tá frio, a gente tem necessidade de comprar aquecedores para se proteger..."
A porteira do Chagas diz que o nevão é uma estratégia de Bin Laden e seus sequazes para mandarem o povo para a rua e depois atacarem!
E o povo adere, o povo sai à rua, filma, tira fotografias, aglomera, vibra!
À porta dos cafés assiste-se à euforia do português paradigma, gritando de cerveja na mão: "- Há neve!"
O Tiago Bianchi avisa: "- É uma Graça!"
O Zé Maria Duque diz que é um milagre e canta o "What a Wonderful World".
Entretanto, na SIC, Santana Lopes fala dos seus tempos de criança, quando nevou pela última vez e os seus irmãos de partido o traíram, atirarando-lhe bolas de neve pelas costas. E afirma: "- Eu tenho um sonho...um sonho...o sonho de um dia ser um veado no meio das renas!"
A agitação social cresce, o camarada Jerónimo chama a atenção para a exploração dos trabalhadores, fingindo desconhecer o negócio sujo da encomenda da neve ao Estado Russo.
O poeta Alegre escreve e canta em jeito fadista: "- Neve!/ Onde está a neve?/ É tão branca a neve,/ Quem é que a tirou?"
O doutor Soares, sempre fresco, salta e barafusta, numa manifestação de jovialidade e irreverência! Ele fala de tudo, é ONU, é Iraque, é Sartre, é o Santo Padre João Paulo II, é o Líbano, a história de Israel, o massacre de Nanquim, a origem da Ordem do Templo, o ideal pedreiro-livre...Nada lhe escapa, à sua frente só fica o Senhor Eusébio, que relaciona ainda o nevão com a gripe das aves e o Crash de Wall Street de 1929.
Enquanto isso, Garcia Pereira queixa-se de que não há neve na sua rua, só na dos outros candidatos...as democracias, para além de caríssimas, são, de facto, muito imperfeitas. Mas como dizia Sir Winston, não se conhece ainda outra forma de conviver em política mais razoavelmente.
Lá a Norte, o Reitor da Casa São José anuncia: "- Vinde, trazei os vossos pais e procriai!"
A Sul, Alentejo e Algarve exultam de alegria, numa vibração só alcançada aquando do Euro 2004.
No dia a seguir há aulas, já não há neve, mas temos a consolação de ouvir o Senhor Eusébio dissertar sobre o tema, qual tese de doutoramento, clamando por justiça. Assegura: "- A crise é moral, há falta de ética, os princípios de Montesquieu não são respeitados e depois é o que se vê...o Estado de Direito não consegue contrariar isto!" E remata: "- O que era preciso era gente nova, capaz de pôr ordem nesta bandalheira!"
Ainda assim o povo está alegre porque neva, o povo é como a pobre ceifeira, "Canta.../ Julgando-se feliz talvez."

27.1.06

Motivos de força maior

Achei giro conjecturar sobre a expressão "motivos de força maior". É uma expressão fantástica. Leva-nos a ser completamente ambíguos, mas no entanto, totalmente conclusivos. Ora reparem:

"-Oh joão! Porque é que não vieste ao teste?
-Sabe, Sra. Professora. Eu até já estava a caminho, mas motivos de força maior levaram-me a voltar para casa, impedindo-me assim de vir ao teste.
-Ah ! Pois. 'Tabém. Mas que isto não se repita"

MARAVILHA!!! Parece magia... O explendor da língua portuguesa em flor!!!
Olhem mais um exemplo bastante ilustrativo:

"-Então que explicação é que o senhor dá, para ter morto a vítima?
-Oh 'sotôr Juiz! Perante a situação eu não o ia matar, mas motivos de força maior levaram-me a fazê-lo.
-Contra factos não há argumentos. Caso encerrado. Pode se ir embora"

EXTRAORDINÁRIO !!! Esta descoberta não tem precedentes. A única coisa que me preocupa é o sustento dos falsificadores de documentos, já que a partir de hoje as celebridades portuguesas não têm mais que se preocupar com a sua defesa em tribunal. Os Herman Josés deste portugal já têm uma nova e mais económica solução.

Aconselho vivamente a utilização desenfreada (outra expressão gira) deste maravilhosa conjugação de palavras. Palavras simples mas que nesta nova forma perdem o seu significado mais simples (motivos nada tem a ver com papel de parede, força nada tem a ver com o tarzan taborda, e maior nada tem a ver com o meu QI em relação ao vosso), perdem estes sinónimos tão vulgares para dar lugar a uma única expressão cheia de ambiguidade e decisão.
Estou comovido!!!

b&a csa
M.A.C.